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Orientação: um esporte para a vida toda |
Rumo Verde Clube de Orientação |
Avaliar o desempenho de um atleta de Orientação pode não ser uma tarefa muito fácil. Cada corrida é única e há sempre muitas variáveis envolvidas: terreno (não só o tipo, mas também o seu estado), temperatura, condições metereológicas, condição física do atleta no momento da prova, situações inesperadas antes e durante a prova, número de atletas concorrendo na mesma categoria, dificuldades imprevisíveis nos pontos de cada percurso, etc.
Nosso objetivo, como atletas de Orientação, deve ser anular ao mínimo o efeito destas variáveis, para que possamos conseguir um padrão médio de desempenho, mantendo todos os resultados sempre próximos deste padrão.
Naturalmente, este objetivo só será alcançado com muitas participações em competições, precedidas de muito treinamento. O treinamento de resistência e força é importante para qualquer esporte que envolva corrida; no entanto, no caso específico da Corrida de Orientação, é fundamental a especificidade. Esta especificidade envolve não só o domínio da simbologia do mapa, mas também o conhecimento e aplicação das técnicas de Orientação. O Curso de Técnico em Orientação, promovido regularmente pela Confederação Brasileira de Orientação (CBO), pode ajudar muito neste sentido.
Levando isso em consideração, quando analisamos uma planilha com os resultados de uma competição, alguns parâmetros podem dar uma idéia errada a respeito do desempenho dos atletas. A colocação do atleta, por exemplo, pode não significar muito se o atleta correu sozinho ou teve poucos concorrentes. Analisar o desempenho dos atletas exclusivamente pelo tempo também pode levar a interpretações erradas. Uma análise mais séria poderia ser feita combinando três fatores para cada ponto de controle de um percurso: tempo, distância e dificuldade. O que não é uma tarefa fácil, pois a obtenção do tempo em cada ponto exige um controle eletrônico (tal como EMIT ou SPORTident) ou que o atleta cronometre o seu tempo entre cada prisma. A dificuldade de cada ponto de controle é também um critério um tanto subjetivo, mas há certo consenso de que pontos próximos de objetos que se destacam no terreno são mais fáceis de serem atingidos.
Para permitir que os atletas tenham uma noção mais exata do seu desempenho, uma opção simples de implementar é divulgar junto com o tempo dos atletas a média de minutos por quilômetro (min/km) obtida por ele no seu percurso. Com um sistema de controle eletrônico seria possível obter a média entre cada ponto. O que aumentaria ainda mais as condições de fazer uma boa avaliação do atleta durante o percurso de Orientação.
Um exemplo de planilha com o cálculo dos minutos por quilômetro de cada atleta pode ser obtido em:
http://www.rumoverde.esp.br/eventos/camopa2007-1-resultado2.pdf.
Estes resultados referem-se à I Etapa do Campeonato Metropolitando de Orientação de Porto Alegre (Camopa 2007), realizado em São Leopoldo, no dia 12 de maio de 2005.
Tão importante quanto obter parâmetros para avaliar um atleta é saber como interpretá-los. Comparar velocidades de atletas de categorias diferentes não é uma boa política. Na I Etapa do Camopa 2007, por exemplo, o atleta que obteve a melhor velocidade média foi da categoria H21B, mas com certeza ele não teve um percurso tão longo e com pontos tão difíceis quanto o percurso do vencedor da categoria H21E, que desenvolveu uma velocidade média um pouco inferior.
Roland Teodorowitsch
25/05/2007
[Também publicado no portal
Orientacao.Net, em 07 jun. 2007.]