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Orientação: um esporte para a vida toda |
Rumo Verde Clube de Orientação |
Este ano, Paulo Calisto Becker participou pela terceira vez de um Campeonato Mundal de Orientação de Masters (WMOC). Confira o diário de Becker durante o WMOC 2009.
Vou descrever um pouco da nossa competição na Austrália. Inicialmente gostaria de apresentar a nossa delegação: eu; o Smile (Smile Calisto da Costa Becker), meu filho, médico convocado pela CBO como voluntário para trabalhar no mundial de máster, atleta de Orientação, atualmente é 2º Ten Méd, servindo no 8º B LOG, em POA; e a minha irmã, Losângelis Izabel Becker, inscrita como acompanhante da equipe, mora em Manaus - AM.
1. A IDA: fomos com a LAN Chile. Quase 20 horas de viagem: POA - SP - SANTIAGO DO CHILE - AUCKLAND (NOVA ZELANDIA) - SYDNEY. Muito cansativa! Chegamos lá com 13 horas a mais em relação a hora do Brasil.
2. CREDENCIAMENTO: fomos direto ao Sydney Olympic Park, onde foram realizados os Jogos Olímpicos de 2000, parece mais uma cidade! Uma fila quilométrica, mais de 28 mil atletas, uma vez que o WORLD MASTER GAMES, comtemplava outros esportes. Outras delegações do Brasil se fizeram presentes, mas não tivemos muito contato, tendo em vista o local da realização da Orientação ser distante. Com três horas na fila pegamos as nossas credenciais e fomos em busca de um albergue. Ficamos alojados no centro de Sydnei, na Pitt Street, por 70 dólares australianos à diária, para os três. Gostamos do local e do alojamento. Tudo muito limpo e gente de todo lugar do mundo fazendo intercâmbio.
3. PERCURSOS DO SPRINT: são dois percusos curtos na área urbana, que se encontram no segundo ano, em caráter experimental pela IOF - Federação Internacional de Orientação. Não contam para a o MUNDIAL DE MÁSTER. É um evento paralelo. No final do segundo dia do Sprint tivemos a abertura oficial dos Jogos Mundiais de Máster, no Olympic Park, com um efetivo de 45 mil, entre atletas e credenciados, mais o público externo. A entrada foi por esportes, reunindos todos os paises participantes daquela modalidade num só bloco. Houve apresentação da cultura regional, enfatizando o aborígene. Foi muito emocionante!
4. PERCURSOS LONGOS: foram três, dois classificatórios e um final, realizados na cidade de Lithgow, há uns 160 Km de Sydney. Ia todo dia de trem: 3 horas para ir mais uma de ônibus, levantava 3h da manhã. Todo o transporte era gratuito para os atletas. No primeio percurso senti bastante dificuldade, pois o terreno era bem diferente do que eu já vira antes, semelhante aos nossos Aparados da Serra, no Itaimbezinho. Mas fui com calma. Na partida nos deparamos com uns quantos cangurus, assustados, dispararam no meio dos atletas. Foi muito lindo! Nos demais percursos pude ver uns tantos outros. No segundo, já ambientado com a simbologia do mapa, tive um desempenho melhor. Foi o percurso mais longo, com 14 pontos de controle, 7,6 Km e um desnível médio de 300 m para todas as categorias. Fiz o percurso em 01:23:59 . No terceiro e último percurso, resultado do somatório dos dois primeiros, não tinha muita esperança de obter o 6º lugar e resolvi fazê-lo com calma, escolhendo bem as rotas. Numa das pernadas, com mais de 1 Km, a linha vermelha, que liga um ponto ao outro, passava por cima de várias elevações, com subidas e descidas bem acentuadas. Estudei a rota e realizei o percurso um pouco mais longo, por dentro de um vale, mas sem subidas e descidas, o que me deu uma diferença média de uns 5 minutos em relação aos primeiros colocados. Os pontos que eram no meio de rochas enormes, não tinha muito o que fazer, era subir caminhando mesmo, apenas cuidando para abordar o ponto pelo lado certo da rocha para marca-lo. Na final, fiz o tempo de 01:14:20. O primeiro lugar, o Austríaco Mark Shingler, fez em 01:01:34. Suceram-no os atletas da Finlândia, Nova Zelânida, Rússia e novamente a Áustria, para depois o Brasil. Este percurso tinha 6 Km, com o nível de dificuldade DIFÍCIL. No WMOC, Campeonato Mundial de Máster, havia 24 categoria acima de 35 anos, 15 masculinas e 9 femininas. A minha categoria é a H45 - Homens acima de 45 anos, uma vez que tenho 46 anos. Participavam dela 64 atletas.
5. TURISMO: durante as provas tivemos 3 dias de descanço. Neste dias conhecemos o Opera House, um teatro para apresentação de ópera, muito lindo. Conhecemos ainda o Taronga Zoo, um zoológico com as espécies da fauna Australiana, onde tivemos o primeiro contato com o canguru e o coala. Em Lithgow fomos conhecer Blue Mountain, uma região semelhante aos Aparados da Serra, entrecortada com uma vegetação de mata de eucaliptos e mais próximo dos penhascos, mata nativa, semelhante à nossa, com samambaias, xaxins, etc. A floresta de eucaliptos é nativa e limpa por baixo, permitindo boa visibilidade. Ressalto que esta característica é típica do Sudeste da Austrália. O Smile, nos dias de folga, ainda tirou um tempo e foi para Queenstown, na Nova Zelândia, saltar de BumpJump e Skydive. As fotos de lá são muito bonitas. Em Sydney, boa parte da população é de turistas com vistos temporários; trabalham lá, fazendo intercâmbio. Têm muitos chineses, vietnamitas, gente da Malásia, etc. A comida em geral é chinesa com muito tempero "cominho". Não fez o nosso paladar!
6. APRENDIZADOS: quanto à Orientação, observar mais a simbologia, principalmente num terreno diferente como era o da Austrália, pois ela dá dicas boas de escolha de rota. Não atravessar fora da faixa de segurança, lá o pedestre é multado, como nos relatou uma amiga nossa de Brasília. A embaixada da Austrália é muito rigosora quanto à documentação, transporte de alimentos e materiais não permitidos. Portanto, com o passageiro, somente o necessário, sem nada de comida. Por fim, podemos dizer que VALEU À PENA mesmo, aprendemos a volorizar mais ainda as beleza naturais do Brasil e a nossa comida. Temos muito para mostrar para o mundo! Se Deus quiser em 2010 quero estar no mundial da Suíça, no dia 31 de julho. Para tal espero me manter em 1º lugar no Ranking Brasileiro de Orientação.
7. AGRADECIMENTOS: primeiramente à Deus e a minha família. À Confederação Brasileira de Orientação, pela convocação. Á Direção do HGUSM, pelo incentivo e apoio. Aos meus patrocinadores, sem o apoio dos quais não seria possível a minha ida. Ao Diário de Santa Maria, pela brilhante matéria publicada antes da minha ida e tantas outras já feitas divulgando o desporto Orientação.
Paulo Calisto Becker
4 nov. 2009
Endereço para referência:
BECKER, Paulo Calisto. Diário de Paulo Becker no WMOC. [S.l.]: Rumo Verde Clube de Orientação, 4 nov. 2009. Também publicado em: <http://www.orientacao.net>. Disponível em: <http://www.rumoverde.esp.br/noticias/2009/2009-11-04.html>. Acesso em: .